O OnlyFans, a gigante britânica de vídeos e conteúdo por assinatura, está em negociações avançadas para vender uma participação minoritária de sua operação para um investidor dos Estados Unidos. Segundo informações do Financial Times, o acordo pode avaliar a empresa em mais de US$ 3 bilhões (cerca de £ 2,2 bilhões).
A plataforma londrina, que revolucionou a economia dos criadores de conteúdo, está discutindo a venda de uma fatia inferior a 20% para a Architect Capital, uma firma de investimentos sediada em São Francisco. Fontes familiarizadas com o processo confirmaram as negociações, que marcam um momento de transição crucial para a companhia.
O motivo da venda: Sucessão e estabilidade corporativa
A decisão de repassar uma participação minoritária surge como uma estratégia para garantir a estabilidade corporativa da empresa após uma perda trágica. O OnlyFans está lidando com o falecimento de seu proprietário majoritário, Leonid Radvinsky. O bilionário ucraniano-americano morreu de câncer no mês passado, aos 43 anos de idade.
Radvinsky foi a peça central do sucesso financeiro estrondoso da plataforma. Apenas em 2024, ele recebeu US$ 701 milhões em dividendos, valor que se soma a mais de US$ 1 bilhão em pagamentos que ele já havia retirado do negócio nos anos anteriores. Com sua ausência, a entrada de um parceiro institucional forte visa acalmar o mercado e estruturar o futuro da governança da empresa.
A grande jogada: OnlyFans virando uma Fintech?
O detalhe mais estratégico dessa negociação não é apenas o dinheiro, mas o perfil do comprador. Entende-se que o OnlyFans tem um interesse particular na Architect Capital devido à profunda experiência da firma no setor de serviços financeiros.
Isso reflete um plano ambicioso da plataforma britânica: oferecer produtos bancários e financeiros próprios para seus criadores. Atualmente, profissionais que produzem conteúdo adulto enfrentam um fenômeno conhecido como de-banking. Devido à natureza de seu trabalho e às rígidas políticas de moralidade de gateways de pagamento tradicionais (como Stripe e PayPal) e bancos convencionais, esses criadores frequentemente têm suas contas encerradas ou fundos congelados sem aviso prévio. Criar uma infraestrutura financeira própria resolveria o maior gargalo operacional da plataforma.
Números astronômicos e o modelo de negócios
O OnlyFans é um negócio altamente lucrativo, sinônimo de conteúdo adulto, onde os criadores cobram dos assinantes pelo acesso a materiais exclusivos em uma plataforma com limite estrito para maiores de 18 anos. O modelo de negócios é simples e agressivo: a plataforma retém 20% das assinaturas e repassa 80% para os criadores.
De acordo com os últimos balanços arquivados pela Felix International, empresa controladora do OnlyFans, a plataforma possui hoje 4,6 milhões de contas de criadores registradas e uma base massiva de 377 milhões de contas de fãs.
No ano fiscal encerrado em 30 de novembro de 2024, a empresa registrou receitas de US$ 1,4 bilhão, com um lucro antes dos impostos de US$ 684 milhões — um aumento de 4% em relação ao ano anterior. O volume de dinheiro movimentado é colossal: os pagamentos diretos aos criadores totalizaram US$ 7,2 bilhões no mesmo período, um salto de quase 10%.
Vale lembrar que, em janeiro deste ano, surgiram relatos de que o OnlyFans já havia conversado com a Architect sobre a venda de uma participação majoritária de 60%. No ano anterior, a empresa também negociou uma possível venda para um consórcio liderado pela Forest Road Company, de Los Angeles, mostrando que a busca por parceiros estratégicos já é um plano de longa data.
Visão da StrongCode
Para nós, que respiramos tecnologia e desenvolvimento, o movimento do OnlyFans é uma aula magna sobre arquitetura de negócios e dependência de APIs de terceiros. Quando o seu modelo de negócios esbarra nas “cláusulas de moralidade” de gigantes como Stripe, PayPal ou bancos tradicionais, você tem duas opções: aceitar o risco de ter sua operação desligada da noite para o dia, ou construir a sua própria infraestrutura financeira. O OnlyFans escolheu a segunda opção. Ao trazer um fundo de venture capital focado em serviços financeiros, eles estão sinalizando a transição de uma simples plataforma de hospedagem de vídeos para um ecossistema de Fintech completo. Para desenvolvedores e arquitetos de software, a lição é clara: a verdadeira independência tecnológica só acontece quando você domina o fluxo do dinheiro (o gateway de pagamento) de ponta a ponta.
Redação Strong Code
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