Depois de anos em que “AI laptop” virou um rótulo repetido por fabricantes, o Asus Zenbook A16 aparece como um caso em que o termo tem base técnica. Em review publicado pelo CNET, o modelo se destaca por usar o processador Qualcomm Snapdragon X2 Elite Extreme, com uma NPU capaz de 80 TOPS (trilhões de operações por segundo), mirando desempenho de inteligência artificial diretamente no aparelho. A aposta é relevante porque coloca o Zenbook A16 no centro da disputa entre notebooks com Windows on Arm, chips x86 e a linha Mac, num momento em que a IA local ganha espaço como diferencial.
Um “notebook com IA” para quem liga — e para quem não liga
O CNET contextualiza que, apesar do barulho em torno do tema, IA ainda não é o principal critério de compra para a maioria. Em uma pesquisa de verão da própria publicação, apenas 1 em cada 10 compradores de notebook disse escolher um modelo com base nas capacidades de IA. Mesmo assim, o Zenbook A16 tenta atender também os outros 90% com atributos tradicionais: desempenho em tarefas comuns, tela, bateria e portabilidade.
Segundo o teste, o A16 combina tela grande com um peso incomum para o segmento. A unidade avaliada ficou em 2,9 libras (cerca de 1,3 kg), abaixo de 3 libras, o que o CNET descreve como o 16 polegadas mais leve já testado pelo reviewer. Parte dessa redução vem do material usado pela Asus, o Ceraluminum, descrito como um acabamento cerâmico aplicado a uma liga de alumínio que busca ser mais leve e mais rígida do que o alumínio anodizado comum.
Especificações e versões: o que muda
O Zenbook A16 citado no review é o modelo UX3607OA, com tela OLED de 16 polegadas em 2.880 x 1.800 (3K), taxa variável de até 120 Hz e suporte a toque. A configuração inclui 48 GB de memória LPDDR5X-9600, SSD de 1 TB e gráficos integrados Qualcomm Adreno. A conectividade traz Wi‑Fi 7 e Bluetooth 5.4, e o sistema vem com Windows 11 Home 26H1 na unidade analisada.
A Asus, segundo o CNET, vende duas versões com as mesmas especificações principais, mas com diferenças em sistema e peso. A máquina testada custa US$ 1.700 e é vendida na Best Buy. Já uma versão listada no site da Asus por US$ 2.000, com previsão de envio “no fim da primavera” no hemisfério norte, troca o Home pelo Windows 11 Pro e fica ainda mais leve por dispensar a cobertura de vidro brilhante na tela. Nessa variante, a empresa declara 2,7 libras (contra 2,9 libras do modelo com vidro).
O texto também registra preços fora dos EUA: £ 2.099 no Reino Unido e AU$ 4.299 na Austrália.
Desempenho: disputa com Mac e vantagem clara em IA local
Nos testes de CPU, o CNET relata que o Zenbook A16 “trocou golpes” com o MacBook Pro 14 (M5) em benchmarks como Geekbench 6 e Cinebench 2024. O Snapdragon X2, com CPU de 18 núcleos, superou o M5 nas medições multicore citadas, enquanto o Mac levou vantagem em single-core. No comparativo do laboratório do CNET, o Zenbook A16 também aparece à frente de notebooks com Intel Panther Lake mencionados no review em desempenho de aplicação e CPU.
Onde o A16 abre distância, de acordo com os números publicados, é no teste de IA. No Geekbench AI, voltado a medir desempenho local do mecanismo neural, o Zenbook A16 marcou 85.328, acima do MacBook Pro M5 (57.528) e dos modelos com Intel citados na tabela do CNET. Na prática, a leitura do review é que o hardware do A16 foi desenhado para colocar inferência e recursos acelerados por NPU como prioridade.
Gráficos e compatibilidade: dois pontos de atenção
O desempenho gráfico, porém, não acompanha a mesma liderança. O CNET afirma que os gráficos integrados da Qualcomm não alcançam o nível do melhor cenário de iGPU da Intel na geração mencionada. No benchmark de Shadow of the Tomb Raider em 1080p com qualidade máxima, o Zenbook A16 teve média de 29 fps, cerca de metade do resultado citado para um concorrente no mesmo teste. Em outro benchmark usado pela publicação, Guardians of the Galaxy, o A16 não conseguiu rodar o teste.
Além disso, o review aponta um detalhe importante para a categoria Windows on Arm: o Zenbook A16 não conseguiu executar o PCMark 10 no ambiente de teste, o que o CNET usa como exemplo de que ainda podem existir questões de compatibilidade. A recomendação prática do texto é verificar previamente se os aplicativos do dia a dia do usuário têm suporte adequado antes de comprar um notebook baseado na série Snapdragon X.

Tela, som e construção: pontos fortes do conjunto
Se o desempenho 3D é um limitador, a tela é descrita como um dos maiores acertos. O CNET mede pico de 479 nits e destaca o contraste típico de OLED, com pretos muito baixos e boa precisão de cor. Nos testes citados, o painel cobriu 100% sRGB e 100% P3, além de 93% AdobeRGB. Para quem trabalha com criação, o review também chama atenção para a presença de um leitor SD em tamanho cheio, um item que nem sempre aparece em máquinas finas e leves.
O áudio usa um conjunto de seis alto-falantes, o que, segundo o texto, dá um som mais cheio do que em modelos menores, ainda que o grave siga limitado. A webcam é 1080p e vem com sensor IR para login via Windows Hello, mas o Zenbook A16 não inclui leitor de digitais. A seleção de portas mencionada inclui duas USB-C com USB4, USB-A, HDMI 2.1, leitor SD e conector de áudio combinado.
Bateria e expansão: autonomia boa, upgrades limitados
No teste de desgaste por streaming do CNET, o Zenbook A16 registrou 14 horas e 25 minutos. O resultado é tratado como forte para um notebook grande com tela OLED de alta resolução, mas ficou bem abaixo de números citados pela publicação para outras máquinas do seu laboratório, incluindo o Zenbook A14 do ano anterior.
Em expansão, o review reforça tendências do mercado: a memória é soldada e não permite upgrade. O armazenamento usa um SSD em um único slot M.2, e o CNET observa que esperava pelo menos um segundo slot em um notebook desse tamanho, o que não existe no A16.
Contexto para o Brasil: o que observar antes de considerar um modelo assim
No Brasil, notebooks com foco em IA devem ganhar visibilidade à medida que o Windows e aplicativos passem a explorar mais NPUs, mas o review do CNET sugere que a compra ainda depende de critérios clássicos: desempenho geral, tela, bateria e peso. Para quem trabalha em mobilidade, a combinação de 16 polegadas com menos de 1,3 kg chama atenção; para criadores, a tela OLED 3K com boa cobertura de cores e o leitor SD também podem pesar na decisão.
Por outro lado, a realidade brasileira torna essencial olhar além do rótulo “AI laptop”. Se o usuário depende de softwares específicos, a recomendação de checar compatibilidade no Windows on Arm é ainda mais importante, já que eventuais limitações podem impactar produtividade. E, como o texto trata de preços e varejo no exterior, o custo final por aqui tende a depender de importação, impostos e suporte, o que pode aumentar o risco de uma compra por impulso — especialmente em um notebook que, segundo o review, não tem vocação para jogos.
Fechamento
O Zenbook A16 descrito pelo CNET tenta ser um “notebook com IA” no sentido literal: alta capacidade de NPU, desempenho forte em aplicações e um projeto físico que desafia a categoria de 16 polegadas ao reduzir peso sem abrir mão de rigidez. Ao mesmo tempo, o review deixa claro que o pacote tem escolhas: gráficos 3D ficam atrás dos rivais e a compatibilidade do Windows on Arm segue como ponto de atenção. Para quem prioriza IA local e portabilidade em tela grande, ele surge como um dos modelos mais agressivos do momento.
Opinião da StrongCode
A leitura mais interessante do Zenbook A16 é que ele ajuda a colocar a conversa de “IA no notebook” em terreno mensurável: quando a NPU entrega um salto real em benchmarks, o termo deixa de ser só etiqueta e vira critério técnico, principalmente para usos que estão migrando para processamento local por privacidade e velocidade.
Ao mesmo tempo, o review reforça um lembrete saudável: não existe atalho para a compra certa. Em 2026, ainda faz sentido tratar Windows on Arm como um investimento que exige checagem de compatibilidade e expectativas claras sobre GPU, porque o melhor “AI laptop” do mundo continua sendo uma escolha ruim se ele não roda, com consistência, as ferramentas que pagam as contas.
Redação Strong Code
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