A Argentina enfrenta uma crise econômica crônica. A inflação acelerou para quase 55% nos últimos meses, e o banco central já apertou a política monetária três vezes. Diante desse cenário, empresários do setor blockchain veem na tecnologia uma solução para restaurar a confiança nas instituições financeiras e políticas do país.
A falta de confiança em bancos e instituições governamentais há muito tempo prejudica a inclusão financeira e a participação política na Argentina. Agora, startups e empresas estabelecidas estão experimentando blockchain em diversos setores, apostando que a tecnologia pode mudar esse panorama.
O Ecossistema Blockchain Argentino
A Argentina possui um ecossistema de desenvolvimento blockchain em expansão. Startups estão usando a tecnologia para transformar trocas financeiras e contratos inteligentes.
Um exemplo é a RSK Labs, que criou uma plataforma de smart contracts conectada ao blockchain do Bitcoin. A empresa levantou $3,5 milhões em financiamento Series A em 2017. Outro destaque é a Affluenta, uma plataforma de empréstimo peer-to-peer que arrecadou $8 milhões em 2018.
A história econômica argentina treinou sua população a ser criativa diante da adversidade. Hoje, existem diversos casos de sucesso em blockchain e fintech que refletem essa resiliência.
Governo e Indústria Abraçam a Tecnologia
O interesse em blockchain cresce tanto no setor privado quanto no público. O governo argentino anunciou recentemente uma parceria com a Binance Labs para igualar investimentos futuros da incubadora.
Em 37 cidades do país, usuários de transporte público pagam indiretamente com Bitcoin suas passagens. Caixas eletrônicos de Bitcoin estão se tornando cada vez mais comuns nas ruas.
Essa adoção não é coincidência. Décadas de instabilidade econômica forçaram os cidadãos argentinos a buscar formas de proteger suas economias da inflação galopante e dos controles cambiais. O país também tem histórico de bancos restringindo o acesso de clientes e uma inflação que atingiu 47% no ano anterior.
Para a classe trabalhadora e os mais ricos, criptomoedas ofereceram uma alternativa às moedas nacionais e um escudo contra a inflação. “Na Argentina, temos mais de 100 anos de inflação muito alta, então estamos sempre procurando soluções”, disse Nadia Alvarez à CoinDesk.
Inclusão Financeira Através de Blockchain
Um percentual significativo da população argentina permanece sem acesso a serviços bancários básicos. Essas pessoas carecem de acesso a pagamentos digitais, transferências de dinheiro, empréstimos ao consumidor e investimento individual.
Aqui está onde blockchain pode fazer diferença. De acordo com Dave Mejia, estrategista de blockchain na Talos Digital, “soluções fintech baseadas em blockchain poderiam oferecer alternativas financeiras para esse segmento não bancarizado”.
“Enquanto bancos tradicionalmente relutaram em servir a população predominantemente de baixa renda, soluções fintech baseadas em blockchain podem fornecer a esses cidadãos uma identidade digital para uso em operações bancárias”, acrescentou Mejia.
Plataformas fintech baseadas em blockchain poderiam aumentar a inclusão financeira e capacitar um mercado consumidor maior. Isso poderia significar maior alfabetização financeira e crescimento econômico.
Startups Internacionais Facilitam Adoção
Além de startups locais, empresas internacionais estão reduzindo barreiras e facilitando a adoção de blockchain e criptomoedas. A startup internacional Gimmer, por exemplo, preenche uma lacuna para quem quer participar da revolução cripto mas tem outras atividades para realizar.
Desafios Persistem
Apesar do otimismo, desafios reais permanecem. Existem obstáculos políticos e negociar com empresas pode ser complicado. Além disso, muito talento deixou a Argentina, dificultando encontrar profissionais qualificados para a quarta revolução industrial do país.
Mas há boas notícias. As startups mais bem-sucedidas da América Latina vieram da Argentina, e existem várias mostrando grande potencial. A indústria de tecnologia do país continua crescendo.
O Futuro Incerto
Conforme o governo centrista busca estabilizar a economia e reduzir a inflação, o tempo dirá se a Argentina conseguirá maior adoção e inovação no ecossistema blockchain. Uma coisa é certa: a tecnologia já está mudando a forma como argentinos lidam com suas finanças e buscam soluções para problemas econômicos crônicos.
Redação Strong Code
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